01 Out 2020

Artigo: Educação, mercado e futuro profissional

Por Julio Borba

O isolamento social impôs rapidamente à sociedade mudanças profundas nas maneiras de estudar, aprender, trabalhar, entreter, entregar resultados, resolver problemas complexos e manter as relações ativas. Estas características conseguem direcionar o que o futuro nos reserva. Não existe consenso, mas apenas uma certeza: empregos, empresas e profissões estão em processo de transformação contínua e ainda mudarão muito. O emprego formal de carteira assinada e estabilidade garantida, entrou para as páginas da história. Não há e não haverá emprego deste tipo para todos, da mesma forma que os negócios perceberam seus modelos, propostas de ação e vendas mudarem do dia para a noite. Vivemos em um mundo que estabilidade não é mais a palavra de ordem e tudo deve se ajustar.

Se após todos os acontecimentos, vivências e reflexões da sociedade e do mercado a educação formal não mudar, dificilmente o cenário crônico de desemprego, poucas oportunidades profissionais, baixa produtividade e resultados muda em nosso país. Inclusive, entenderemos melhor o futuro do mercado brasileiro após a transição do modelo remoto para o convívio presencial nas escolas e universidades. Se os métodos aplicados se mantiverem inalterados na maioria das instituições, persistiremos entregando, em pleno século XXI, profissionais com habilidades e competências para trabalhar no século XX. E isso certamente vai gerar enormes crises para alinhar depois com as exigências do mercado.

O mais dramático paradoxo atual no mundo do trabalho está em termos, de um lado, altas taxas de desemprego e, do outro, uma carência crônica de profissionais qualificados para vagas existentes. Unidos, geram ociosidade e estagnação em diversos setores da economia. Cabe às empresas e instituições de ensino perceberem este hiato e a oportunidade de se unirem para oferecer qualificações profissionais com uso do campo de prática mais perfeito que existe.

Temos de usar este momento para gerar mudanças efetivas. O eterno gênio Albert Einstein traduziu o contexto atual quando disse que “a crise é a melhor benção que pode ocorrer, pois traz progressos, invenções, descobrimentos e grandes estratégias. Superar a crise, é superar a si mesmo sem ficar superado”. Instituições de ensino entregam profissionais ao mercado. As empresas precisam de eficiência e superação para obter resultados cada vez melhores. Portanto, são necessárias união e mudanças para continuarem se superando.

O encolhimento e o desaparecimento de diversos setores produtivos e mercados de trabalho é um movimento irreversível. Absolutamente nada poderá deter a marcha da imprevisibilidade. Porém, novas oportunidades surgirão para diversas empresas e profissões. O que todos precisam entender é o fato que planejamentos não duram mais toda a vida se mantiver os mesmos propósitos traçados no início. O profissional deve buscar multifunções, e as empresas não podem deixar de perceber, incentivar e também buscar realizar.

Mudar continuamente conceitos e atitudes é de fato uma grande estratégia que trará benefícios às organizações e instituições de ensino. Não podemos permitir fazer hoje o mesmo de sempre e entregar a um mundo tão diferente amanhã.

*Julio Borba é educador, mestre em Neurociências e presidente do LIDE Educação Pernambuco.

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